

De 9 a 11 de dezembro de 2026

/ SOBRE
Antes de se afirmar como linguagem reconhecida, a arquitetura moderna configurou-se por meio de deslocamentos progressivos de ideias, experimentações e revisões críticas que atravessaram diferentes contextos culturais e geográficos. Mais do que um processo linear de difusão, trata-se de um campo em transformação, no qual referências são apropriadas, reinterpretadas e modificadas conforme as condições específicas de cada contexto.
No Brasil, a historiografia da arquitetura moderna frequentemente destacou a centralidade de determinados núcleos de produção, a partir dos quais se estruturariam as principais interpretações do movimento. No entanto, como indicam leituras críticas da historiografia latino-americana, especialmente nas reflexões de Marina Waisman, essa narrativa tende a reproduzir uma leitura na qual a arquitetura moderna se origina em centros europeus e se difunde para outros contextos como modelo a ser assimilado. Ao problematizar essa perspectiva, Waisman propõe deslocar o olhar para aquilo que denomina o interior da história, compreendendo a produção latino-americana não como recepção passiva, mas como processo ativo de interpretação, no qual referências externas são absorvidas, transformadas e ressignificadas a partir de condições culturais, técnicas e históricas próprias.
Nesse sentido, a circulação do moderno no território brasileiro pode ser entendida como um movimento de deslizar. Ideias, práticas e repertórios se deslocam das margens para o centro e do centro para as margens, atravessando diferentes escalas e situações. Nesse percurso, não permanecem intactos; são transformados, combinados, ajustados. O moderno, assim, não se impõe de maneira homogênea, mas se reconfigura a partir das condições locais, produzindo respostas específicas e, muitas vezes, tensionando as referências que lhe deram origem.
É nesse movimento que se insere o caso do Paraná. A partir de meados do século XX, a produção arquitetônica associada às ideias modernas passa a se intensificar no estado, constituindo uma trajetória mais contínua de experimentação e consolidação. Esse processo se dá por meio de múltiplos fluxos: pela atuação de arquitetos formados em outros contextos, pela circulação de ideias e publicações, pela presença de profissionais oriundos da engenharia e, posteriormente, pela formação das primeiras gerações de arquitetos locais. Longe de configurar uma simples recepção, essa trajetória evidencia um campo ativo de produção, no qual o moderno é constantemente reinterpretado.
Ao longo desse percurso, o deslizar não ocorre em um único sentido. Experiências desenvolvidas no Paraná passam também a reverberar para além de seus limites, participando de debates mais amplos e contribuindo para a construção de repertórios que extrapolam o âmbito regional. O movimento se dá, portanto, por meio de fluxos múltiplos, nos quais centro e margem deixam de ser posições fixas para se tornarem condições relativas, em constante redefinição.
O III Seminário DOCOMOMO-PR propõe investigar esses processos de circulação, transformação e construção da arquitetura moderna no Paraná, tomando o estado não como periferia passiva, mas como espaço de elaboração, experimentação e crítica. A partir dessa perspectiva, o evento organiza-se em três eixos complementares. O primeiro aborda os fluxos e a circulação de ideias e práticas, evidenciando como o moderno se forma e se difunde. O segundo concentra-se nas hibridizações do projeto, observando suas transformações no encontro com técnicas, tradições e modos de habitar. O terceiro volta-se à construção e à permanência do moderno, discutindo sua inscrição na cidade, nos acervos e nas disputas em torno de sua preservação.
Ao reunir pesquisas sobre ensino, produção arquitetônica, cidade e patrimônio, o seminário busca ampliar o debate sobre a arquitetura moderna no Paraná, destacando suas especificidades e suas conexões com contextos mais amplos. Mais do que identificar origens ou filiações, interessa compreender os processos pelos quais o moderno se desloca, se transforma e se reinscreve, produzindo configurações singulares. Nesse sentido, propõe-se um olhar atento ao que se constrói a partir do interior da história, onde experiências locais deixam de ser entendidas como derivação e passam a ser reconhecidas como parte ativa na redefinição do campo arquitetônico.
/ DATAS IMPORTANTES
01.07.2026 - LANÇAMENTO DA CHAMADA DE RESUMOS
03.08.2026 - DATA LIMITE PARA SUBMISSÃO DE RESUMOS
09.09.2026 - DIVULGAÇÃO DO RESULTADO RESUMOS ACEITOS
05.10.2026 - DATA LIMITE PARA SUBMISSÃO DE TRABALHOS COMPLETOS
09.11.2026 - DIVULGAÇÃO RESULTADO TRABALHOS COMPLETOS
/ PROGRAMAÇÃO
9
QUARTA
9:00
Abertura do Credenciamento
10:00
Mesa de Abertura
12:00
Intervalo de Almoço
14:00
Sessões Temáticas
16:20
Coffe Break
17:30
Palestra de Encerramento do Dia
10
QUINTA
9:00
Sessões Temáticas
10:40
Intervalo
11:00
Mesa Redonda
12:00
Intervalo de Almoço
14:00
Sessões Temáticas
16:20
Coffe Break
17:30
Palestra de Encerramento do Dia
11
SEXTA
9:00
Sessões Temáticas
10:40
Intervalo
11:00
Mesa Redonda
12:00
Intervalo de Almoço
14:00
DOCO JOVEM
16:00
Coffe Break
16:30
Palestra de Encerramento
12
SÁBADO
9:00-12:00
MomoTour
Arquitetura Moderna em Curitiba
/contato
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